Na volta para casa sua mente pulsava com rapidez e força. O sono no gramado tinha feito bem para o corpo, mas não para suas ideias.
Que tipo de pessoa vive toda sua vida sem nunca experimentar boas doses de motivação e ambição? Era o tema de seus pensamentos. Finalmente chegou em casa. Preparou uma xícara de chá e sentou na varanda para observar a chuva que tinha começado poucos minutos atrás. Gotas finas e numerosas encharcavam a grama mal cuidada da casa onde morava. Gostaria de ter viver em um lugar onde pudesse passar seus dias sem se envergonhar da inércia que tudo tinha sido até aquele momento.
O chá estava ótimo. Doce na medida e não muito quente. Ainda com metade da xícara cheia (e não vazia) deitou novamente, mas dessa vez no piso de madeira da entrada. Olhando os pingos de chuva vindo do céu desejou com muita força que algum tipo de tempestade ocorresse em sua existência. Não importa o quão forte fossem os raios, mudanças seriam bem vindas não importa quais fossem. Seus olhos se encheram de lágrimas. Nada mudaria. Os ventos que sopravam sobre ele mal bagunçavam seu cabelo. O despertador tocou, era hora de ir trabalhar.
Sem almoçar, colocou o uniforme e foi para o trabalho. Mais tarde, já passado muitas horas desde que o dia tinha escurecido ele chegou em casa. Tomou outro chá. Nada havia acontecido naquele dia e bem provavelmente nada aconteceria nos próximos. Porém, como diz aquela música, apesar do sol ainda ser o mesmo, você está cada dia mais perto da sua morte. Mas, nessa questão específica, muitos poderiam discordar e argumentar que para ele a vida já tinha terminado há bastante tempo.
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