Pouco tempo depois se levantou e continuou sua caminhada até a boate. Pagou a entrada e o primeiro lugar que procurou foi o bar. Comprou mais bebida. Dessa vez optou pelo whiskey. Três doses depois ele mal conseguia se segurar de pé. Se arrastando e sem a menor consciência do que fazia, sem nem sentir as pernas, os braços e a língua, alcançou o banheiro. Antes que pudesse mijar direto dentro do vaso sanitário, percebeu que o serviço já estava feito dentro das suas calças. “Haha, foda-se” e então correu para a pista com a sua última dose de whiskey. Era a última dose que ele poderia beber por muito tempo. Seu futuro já estava traçado e marcado. Não colocaria mais uma gota de álcool na boca por um período grandioso de tempo, porém ele ainda não sabia disso. Estava se “divertindo”.
Agora estava com a roupa suja e molhada. Só não parecia um mendigo completo, pois segurava um copo de whiskey.
Na pista dançou o melhor que podia e obviamente não era bom nisso. As pessoas passavam por ele e riam da sua cara. O álcool o deixou mais irritável. Tinha um cara meio da pista, um playboy musculoso que ficava apontando de dedo para ele e insinuando sua sexualidade. Aturou por alguns instantes, mas não, não naquela noite. Já estava anestesiado o suficiente para fazer qualquer tipo de besteira. Naquela noite alguém pagaria pelo seu fracasso. E aí estava o escolhido. De regata, gel no cabelo e tênis de mola: um playboy.
Se jogou, todo desajeitado, para cima do playboy. Nunca tinha brigado antes. Não brigas de contato físico. Ele já tinha, sim, brigado através de palavras. Discussões verbais. Pancadaria não. Infelizmente para ele e felizmente para o playboy, nosso amigo não acertou um soco sequer, mas em pouco tempo de “briga” já tinha levado 2 belos socos no rosto e já tinha sangue descendo pelo nariz.
Não demorou muito para que dois seguranças os levassem para fora. Já na calçada ele pediu desculpas para o playboy. “Que era isso que estava fazendo?” ele se perguntava. Para ele a briga não tinha mais sentido, não queria mais continuar. Queria voltar a raciocinar como sempre. Gostaria de sentir suas pernas de novo, conseguir falar sem tropeçar nas palavras. Queria que o mundo parasse de girar. A sensação do álcool estava sendo boa, mas não era o que servia para ele. Gostava mesmo era de estar em plena consciência de si mesmo, poder tomar atitudes baseadas na razão e não na primeira coisa que vem na cabeça.
Do lado de fora, machucado, com sangue no rosto e na camisa, calça suja e molhada, esse era o visual dele atualmente. Sem conta, é claro, no estado péssimo do seu rosto, visivelmente bêbado.
Mais uma vez sentou-se na calçada. Esperaria o efeito do álcool passar para, daí sim, ir para casa. Porém, como tudo naquela noite, seus pensamentos e idéias mudaram de repente. Então levantou-se. Queria chegar logo em casa e dormir. Esquecer logo a vergonha onde ele mesmo tinha se metido. Agora estava com pressa. Decidiu correr. Ainda desajeitado tropeçou no meio-fio da calçada e caiu forte na rua. Estava sem forças, cansado e sem muita coordenação.
Tudo que fez foi olhar para o lado. Tinha um carro vindo em sua direção. Depois mais nada.
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